Li no Kindle: Nove regras a ignorar antes de se apaixonar



É interessante como a gente pode descobrir autoras charmosas lendo livros aleatórios. É claro que o fato de ter sido publicado pela Editora Arqueiro já confere algum mérito a ela, porque é uma casa muito sensível à escolha de seus títulos - principalmente neste gênero: romance de época adulto.

Outros livros publicados, de mesmo gênero, pela editora são a deliciosa e cativante série Os Bridgertons, da adorável Julia Quinn; a série Os Hathaways maravilhosos, da Lisa Kleypas lacradora; a série dos misteriosos Rothwells, de Madeline Hunter; e os diferentes Bedwyns, de Mary Balogh.

Ainda que todos tenham algo em comum - já que todos são romances de época e todos são adultos - cada autora carrega suas distintas características de escrita, de criação de personagem... Este foi o primeiro livro que peguei para ler de Sarah MacLean - sei que comecei errado porque tem uma trilogia antes dessa correlacionada -, mas isso não interferiu diretamente na qualidade da costura entre os personagens e da peculiaridade de sua criação.  Acabou que fiquei tão viciada que peguei a primeira trilogia, já terminei, assim como a segunda e iniciei a última.

Por muito tempo, o gênero ficou estocando prateleiras abandonadas de jornaleiros - sim, acredite - e seus míseros leitores eram moças que sonhavam com o amor. A narrativa amadureceu muito - os livros foram de pockets para tamanho padrão; de no máximo cem páginas para até trezentas; as autoras ganharam reconhecimento e, assim que começou a venda mais firme em livrarias, o público cresce generosamente.

Me aventurei a falar um pouco sobre o assunto porque, é verdade, os poucos livros de ficção que tenho tido mais contato atualmente são deste gênero: suaves e capazes de relaxar qualquer mente estressada. E porque parece que, infelizmente, muitas pessoas ainda não conseguem abrir o coração para uma leitura de entretenimento (como se fosse um pecado ler para se divertir).

Tendo dito isto, acho que é sensato falar sobre a obra em si. NÃO É UMA LEITURA RECOMENDADA PARA MENORES DE 16 ANOS. 



Eu já conheci pessoas com nomes diferentes, alguns severamente estranhos, mas nenhum foi como aquele dado à personagem principal desta história: Calpúrnia. Bem, historicamente falando, Calpúrnia era uma imperatriz, mas é claro que a nossa personagem tímida e insegura não se sente uma mulher poderosa. Nosso canalha da vez, ou mocinho, como preferir, é o Marquês de Ralston, Gabriel St. John. Um boêmio irritante e aristocrata que não dá a mínima para meninas como Callie.

Entretanto, como o caminho quem faz é você, Callie, que está cansada de ficar sentada esperando o príncipe encantado, decide que irá fazer todas as coisas que não poderia se a sua reputação importasse.

"Quase parou ali, naqueles sete itens que tinham vindo tão depressa. Mas, por mais que a lista fosse um exercício de imaginação, Callie sabia que era mais que isso. Era uma chance de enfim ser honesta consigo mesma. De escrever as coisas que mais desesperadamente gostaria de experimentar. As coisas que nunca admitira para ninguém – nem para si mesma."

O mais interessante da escrita de Sarah MacLean é, provavelmente, a sua capacidade de explorar tão profunda e desavergonhadamente os sentimentos e, mais ainda, as fraquezas dos seus personagens. Ela os personifica, os torna humanos, os aproxima dos leitores.

O livro passa a ser uma história de experimentos, de descobertas, de apostas. Callie não está mais disposta a ser coadjuvante de sua própria vida. Não quer ser mais a desinteressante e covarde Calpúrnia, que terminará a vida solteirona.

“- É. Passei vinte e oito anos fazendo o que todos à minha volta esperavam que eu fizesse… sendo o que todos esperavam que eu fosse. (...) Sou uma covarde. (...) Não sou uma esposa, ou uma mãe, ou um pilar da alta sociedade (...) Sou invisível. Então, por que não (...) começar a experimentar todas as coisas que sempre sonhei em fazer?”
Existe substancial previsibilidade e certo reforço desnecessário em algumas ocasiões, mas, ao todo, Sarah foi uma surpresa bem-vinda, uma diversão maravilhosa para dias chuvosos e um descanso para uma mente turbulenta.

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