Criando Hábitos Saudáveis: Parte 1



Parte dos meus exercícios de inglês inclui assistir filmes legendados em inglês. Quando me sinto cansada e acho que posso desistir se a missão estiver muito difícil, escolho um filme que já vi e que, portanto, posso usar a colinha da memória em português.

Hoje escolhi rever "O mínimo para Sobreviver". Sim, uma escolha complicada. O filme fala sobre distúrbios alimentares, tendo como personagem principal uma jovem anoréxica. É a terceira vez que vejo esse filme e, todas as vezes, minha mente voou para uma lembrança da minha própria vida. 

Antes que eu conte qual é a lembrança, no entanto, preciso adiantar algo da história do filme - não veja isso como spoiler -: a garota não come porque se sente culpada por algo que a sua visão de vida desencadeou. Era apenas um desenho, uma percepção, mas para outra pessoa significou muito mais. Meu caso foi bem diferente, mas acho que vale contar, porque, afinal, de alguma forma passamos por dores parecidas. 

Então, senta aí que lá vem história!


Essa era eu aos 16 anos (2008). Super normal, não é?


Bem... Sobre isso: aparências enganam. Entrei no segundo grau pesando 52 kg bem distribuídos e e saí pesando menos de 45 kg. Fui ameaçada mais de uma vez de ter meus pais chamados para conversar sobre minha 'anomalia' e me chamaram de 'bulímica', de 'anoréxica' e por aí vai. Admito que não dei a mínima na época porque a) eu não enxergava essa magreza excessiva, sabia que era magra, mas me sentia normal e tinha boa saúde (comprovadamente) e b) eu adoro comer e não de desperdiçar comida, logo jamais poderia me encaixar em qualquer um dos grupos propostos. No entanto, é claro que a perda de peso tinha um nome e ela se chamava gastrite nervosa, que foi motivada e alimentada por diversos infortúnios por muitos anos... (que não serão mencionados nesse post, quem sabe em outro momento?)

Mas vamos deixar isso de lado. Não me recordo exatamente se esta foto foi tirada em 2011 ou 2012, mas entenda que eu já estava na faculdade e que tinha mais de 18 anos. Meu peso variava entre 42 e 45 kg. Minha altura exata é 1,69. 


Se você não notou a brusca diferença entre a primeira e segunda foto, me deixe salientar: havia perdido algo em torno de 10 kg e eu estava muito, muito, muito mesmo magra. Eu não tinha bulimia. Eu não tinha anorexia. Consegui manter minha gastrite nervosa sob controle. Mas... Acontece que nesse período, eu não conseguia sentir fome. Comia apenas quando tinha vontade e isso, em geral, significava um sanduíche e um bom copo de coca cola. As pessoas me diziam o quanto eu estava magra e eu só conseguia pensar que elas eram um pé no meu saco, que eu era saudável e que eu tinha o corpo que devia ter. 

Sinceramente, não sei o que é se sentir culpada por comer ou se sentir gorda quando se está magra. Não sei o que é querer emagrecer mais. Mas entendo a pressão para se atingir um padrão de beleza - afinal, antes de qualquer coisa, sou apenas uma garota e parece ser a obrigação de toda garota entender sobre isso. -, entendo a dor de vestir uma roupa e se sentir horrível e de acabar se afastando das pessoas porque elas não param de falar sobre o vilão chamado peso. Eu entendo como é uma sensação perturbadora não se encaixar ou ser discriminado por uma questão física. Sei a dor de ser alvo de piadinhas descaradamente cruéis e maquiadamente cruéis.  

O tempo passou e todas essas pedras que carreguei continuaram comigo. Entre o final de 2014 e início de 2015, eu decidi que o jogo ia virar, que eu ia me sentir perfeitamente bem e à vontade com meu corpo. (Veja bem: as medidas de mudança que tomei não estavam somente interligadas à minha alimentação, mas também ao meu estilo de vida, à minha qualidade de vida, afinal o meu problema estava mais profundamente ligado a estas questões.)

Decidi que eu não quebraria mais costelas por bater em alguma coisa (verídico), que eu não teria o rosto encovado e poderia sorrir sem parecer uma caveira. Que eu ia voltar a parecer saudável. Minha fome voltou junto com minha força de vontade e comecei a tomar medidas para ficar melhor. 


Eu tinha hora para comer, quantidade mínima de comida, quantidade mínima de refeições, uma lista de vitaminas para tomar... Quando comecei este projeto, eu tinha chegado a 40,5 kg para o mesmo 1,69 m de altura. Se fizer os cálculos, vai ver que eu estava muito abaixo do peso ideal. 

Bem... Estamos em novembro de 2017. Foram uns dois anos que pediram muito de mim e do meu ânimo renovado, mas... Eu estou pesando 60 kg. 


É, agora uso roupas adequadas para minha idade e não preciso sentir vergonha dos meus braços. As pessoas podem apertar minhas bochechas e podem me abraçar porque tem acolchoamento. Mas ei, o que quis dizer com tudo isso? 

  • Quis dizer que você não está sozinho (a). 
  • Que existem pessoas que se importam com você.
  • Que existem pessoas que querem te ajudar porque passaram pela mesma coisa (sim, eu sou uma delas, me chame quando quiser!).
  • Que você tem uma força imensurável dentro de si, capaz de absolutamente qualquer coisa!
  • Que você pode e deve tentar todo dia uma medida saudável para sua vida.
  • Que às vezes você precisa de mais ajuda - sua força interior está tímida, seus amigos e sua família te amam demais, mas não sabem te dar as respostas que precisa - e que existe um mundo inteiro aí por você. 
  • Quis dizer que você é lindo (a) e que, portanto, precisa cuidar da sua saúde para continuar espalhando beleza por aí. 

Eu me ponho 200% a disposição para conversar. Às vezes tudo o que precisamos é de uma palavra amiga, de um pequeno empurrão - sem críticas, sem pedidos, sem exigências. Eu entendo você e apenas isso basta. 

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